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Escova Progressiva sem e com Formol Voltar

Apesar de atualmente vivemos na onda dos cachos, de ressaltar a beleza natural dos cabelos, ainda há quem prefira tratamentos que deixam as madeixas alisadas. E não há nada de errado nisso!  Afinal, o que importa é nos sentirmos bonitas e satisfeitas com a nossa aparência. Então, saiba mais sobre o mecanismo de ação dos produtos, o uso de formol nas formulações, a atuação da Anvisa e os tipos de escova progressiva. Não Perca!

Normalmente, nós mulheres, estamos sempre insatisfeitas com os nossos cabelos e queremos modificá-los. E a escova progressiva foi uma invenção que, em mais de uma década, conquistou uma legião de usuários e revolucionou o mercado de transformação capilar. Toda brasileira, ainda que não faça uso da técnica, certamente conhece mulheres que ganharam fios lisos depois de se submeter ao procedimento.

Apesar não ter sido inventada no Brasil, a escova progressiva teve aqui seu desenvolvimento máximo e o país exporta essa técnica. Portanto, veja abaixo o que é a escova progressiva e entenda seu mecanismo de ação.

ESCOVA PROGRESSIVA

Assim como outros métodos de alisamento, a escova progressiva é um procedimento criado para mudar a forma dos fios e diminuir o seu volume.  Dessa forma, a intenção da escova progressiva é transformar o formato da haste capilar, fazendo com que a queratina seja realocada dentro do córtex do fio para dar uma forma mais lisa.

 

 

Para mudarmos a forma dos cabelos é necessário alterar a distribuição de queratina, que é mantida em determinado formato pelas pontes químicas, especialmente de enxofre, difíceis de serem quebradas. Para isso, é necessário abrir a cutícula do fio, aplicar o produto químico que vai desestruturar esse arranjo e depois refazer o fio na forma desejada. Ou seja, é preciso abrir a cutícula, desestruturar as pontes de enxofre que mantém o formato do fio e reestruturar a haste numa outra forma.

O desafio que se coloca é o tempo. A maioria desses procedimentos dura muito pouco e tem que ser repetido com frequência, o que danifica haste capilar.  Uma vez que os efeitos da escova progressiva duram, geralmente, de dois a três meses, dependendo da porosidade do cabelo antes de o tratamento ser feito.

A escova progressiva pode ser feita em qualquer tipo de cabelo, desde que esteja saudável. Entretanto, o procedimento apresenta melhores resultados em cabelos encaracolados ou ondulados, sem tratamentos químicos anteriores.

O processo de alisamento dura cerca de 2 horas, onde a maioria dos profissionais segue os seguintes passos:

 

Existem diferentes sistemas de alisamento no mercado, entre eles temos:

Hidróxido de sódio: Pode-se dizer que esse é o sistema de alisamento que traz mais danos aos cabelos. Devido a sua força alcalina, promove maior comprimento das ligações dissulfídicas, degradando mais rapidamente a fibra capilar. Contudo, é o sistema mais eficiente em termos de alisamento.

Hidróxido de guanidina: Trata-se de um sistema intermediário em termos de danos e eficiência em alisamento. Devido à presença de hidróxido de cálcio na reação intermediária para a formação do hidróxido de guanidina, causa maior ressecamento da fibra capilar.

Tioglicolato de amônio: Promove menor degradação das ligações dissulfídicas. É o sistema que menos alisa e mantém por mais tempo o nível de hidratação capilar.

Formaldeído: Essa substância não é responsável pelo efeito de alisamento. Contudo, quando é aplicada a fibra capilar em presença de calor, promove efeito de plastificação. O efeito diminui a elasticidade da fibra, levando a quebra e ao ressecamento.

Escova progressiva: As moléculas de ácido glioxílico, derivados de carbocisteína, derivados de glutaraldeido, derivados de propilenoglicol e derivados de siloxanos, quando estão presentes em escovas progressivas, atuam por meio do mesmo mecanismo de ação do formaldeído. Todas essas substâncias conferem alisamento satisfatório, porém intensidades distintas, uma vez que o resultado depende da composição total do produto.

ESCOVA PROGRESSIVA E O FORMOL

Quando surgiu, a técnica da escova progressiva era baseada na aplicação de aminoácidos e queratina, aliada à prática de escovações térmicas. A partir de 2003, o procedimento deu um salto de popularidade, em função dos resultados proporcionados pela utilização indevida do formol. Naquele momento, aplicavam-se altas concentrações de formol, alcançando até 20% em solução a 37%.

A ação do formol é completamente distinta dos tratamentos para o alisamento a base de hidróxidos. O formaldeído não rompe pontes dissulfidicas, ele utiliza as pontes já rompidas para formar uma ligação metilênica, alterando a conformação das microfibrilas, que no plano macroscópico conferem maior alisamento da fibra capilar. O calor propiciado pelo uso das chapinhas “ promove uma reação de termofusão entre o formaldeído e a queratina, formando uma estrutura plastificada, ou seja, polimerizada, que nesse caso diminui o coeficiente de molhabilidade, deixando os cabelos mais rígidos e tornando-os mais suscetíveis a quebra mecânica, as fraturas e ao ressecamento”. Ou seja, o formaldeído, de fato, reduz a rugosidade das cutículas, deixando os cabelos mais lisos e não ásperos, porém facilita a ruptura da fibra capilar devido ao aumento da plasticidade e a redução da hidratação.

Ao mesmo tempo em que se tornava uma febre nos salões de beleza, o procedimento acarretava inúmeras reclamações por parte das usuárias. As queixas referiam-se a irritações na boca, nos olhos e no nariz, a queimaduras no couro cabeludo, e dificuldade para respirar e a dores de cabeça.

 

Além de problemas na saúde, o uso contínuo de alisantes a base de formaldeído, faz com que o cabelo vá se plastificando. Dessa forma, quando o procedimento é feito pela primeira vez o efeito é satisfatório, na segunda é bom e na terceira o cabelo fica aparecendo o da boneca Barbie: de plástico.

A legislação sanitária não permite o uso do formol com a finalidade de alisar os cabelos. O uso dessas substâncias só é permitido nas funções de conservante (limite máximo de 0,2%) e de agente endurecedor de unhas (limite máximo de 5%).

Na tentativa de substituir o formaldeído nas formulações, surgiram outros ativos, como o glutaraldeído, que também é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para essa aplicação, o ácido glioxílico e produtos à base de carbocisteína como o ácido glioxílico.

Para restringir o acesso da população ao formol e coibir o uso indevido dessas substâncias como alisante capilar, a Anvisa publicou a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 36, de 17 de junho de 2009, proibindo a comercialização do formol em estabelecimentos como drogarias, farmácias, supermercados, empórios e lojas de conveniência.

Os métodos para a realização da escova progressiva não são registrados na Anvisa, apenas são registrados os produtos para alisamento capilar. E nenhum salão de beleza tem autorização para adicionar qualquer quantidade de formol ou de qualquer outra substância a um produto já industrializado.

O trabalho de fiscalização sanitária atua sobre o mercado de produtos oferecidos à população de maneira a identificar problemas e realizar ações que evitem ou minimizem os riscos à saúde. A partir da ação fiscalizadora são adotadas medidas sanitárias, como a retirada do mercado de produtos sem registro, produtos falsificados, com desvio de qualidade ou comercializados por empresas sem autorização da agência. A responsabilidade pela fiscalização é compartilhada com todo o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

 

ESCOVA PROGRESSIVA SEM FORMOL

Nos últimos anos, as formulações de produtos para escovas progressivas passaram a contar com ingredientes como proteínas, silicones, aminoácidos e vitaminas. Essas inovações incrementam ações mercadológicas e promovem derivações desse tipo de procedimento, como escova de mel, marroquina, de chocolate, inteligente, entre outras. Uso de chapinhas também teve uma evolução considerável, partindo de temperatura de 160 °C e chegando a 230 °C.

As linhas para escovas progressivas que estão no mercado destacam a ausência de formol em suas composições e prometem atributos como “tratamento de dentro para fora”, “proteção da cor” e “textura macia”.

Os kits Liss Intensy, Liss Professional e Supreme Liss oferecidos pela Amend, contém como base a carbocisteína, ingrediente responsável por alterar a estrutura capilar. Esse aminoácido natural da queratina dilata as cutículas, quebrando as ligações de hidrogênio ou salinas para reagir a altas temperaturas e alinhar a fibra capilar.  A carbocisteína não arde os olhos, não tem cheiro forte nem prejudica a saúde do profissional e a do cliente, e é extremamente suave.

A nanoproteína presente no Liss Professional, protege a estrutura capilar e promove a selagem da camada externa do fio, além de proteger a cor dos cabelos coloridos. As nanomoléculas da proteína da seda penetram com mais facilidade nas cutículas dos fios, realizando uma selagem perfeita.

A Tut Hair, marca de produtos para escova progressiva da Biotropic, também usa a carbocisteína como base de suas formulações. É uma tecnologia baseada na sinergia de proteínas ácidas e aminoácidos biocompatíveis com a fibra capilar. A carbocisteína tem proteínas hidrolisadas que, devido ao seu baixo peso molecular, apresentam maior facilidade de penetrar na fibra capilar.

A Italian Hairtech oferece a linha Innovator, formulada com um agente de cristalização responsável pela formação de uma barreira condicionante nos fios. Todo trabalho é realizado por meio de nanotecnologia de moléculas proteícas que interagem com fio. Em presença de calor, essas moléculas polimerizam na cutícula capilar, formando um filme protetor que proporcionam brilho e extremo condicionamento.

A linha Keeping Liss da Lowell Cosméticos, possui em sua formulação uma mistura de óleo de ojon, manteiga de argan e ácido glioxílico. O óleo e a manteiga trabalham em sinergia, proporcionando maciez, penteabilidade e brilho. O ácido glioxílico é o ativo alisante. Catalisado com o calor do secador e da chapinha, ele abre a cadeia de queratina dos cabelos e se complexa com ela, transformando os fios.

A Escova Marroquina Oro Argan, da Bioderm, foi desenvolvida com proteínas e aminoácidos biocompatíveis com a fibra capilar. A linha, indicada para cabelos ondulados e volumosos, conta com o alto poder de reparação do óleo de argan. A combinação de argan e carbocisteína permite a mudança da estrutura do fio, além de reparação e proteção.

Apesar de todos os ingredientes adicionados, os princípios ativos que realmente faz um efeito de alisamento basicamente são os mesmos, ou seja, a base de todas as escovas progressivas consiste na presença de um agente que “destrua a ponte de enxofre”.

É sempre necessária a presença desse agente que pode ser de várias origens. Já os demais ingredientes relacionados à qualidade incorporados ao produto, na verdade são mais requisitos de marketing.  Há poucas diferenças entre essas variações.

Para promover o alisamento é de extrema importância o processo térmico, os demais componentes de fórmula são coadjuvantes, tendo pouca ou nenhuma ação sobre o processo. Há sistemas que tem alguns protetores térmicos, mas, em geral, todos esses mecanismos são mercadológicos, sem nenhuma comprovação científica dos seus efeitos.

Apesar de ter uma imagem negativa das escovas progressivas, devido ao seu histórico, não podemos tomar essa grande inovação brasileira como vilã. É notável a performance alcançada com esse tipo de tecnologia que revolucionou o mercado brasileiro de alisamento capilar e vem ganhando espaço no mundo todo.

A grande questão que precisa ser equacionada é sobre os métodos de avaliação de segurança e eficácia para as escovas progressivas. São necessárias algumas avaliações básicas para oferecer um produto seguro e eficaz ao consumidor.

 

*Todas as recomendações para segurança e eficácia demandam práticas clínicas e físico-químicas validadas e não excluem a possibilidade de realização de outros métodos.

O importante é ficar atento aos movimentos do mercado e verificar sempre a origem dos produtos e a bibliografia indicada pelos fabricantes e distribuidores.

 

Fonte: Química da Beleza